sexta-feira, 20 de março de 2009

Ex-escravos: migração dá forma do Brasil para a África ----> 9º ANO / CPA

Arquiteto nigeriano David Aradeon descreve em entrevista à DW-WORLD as influências dos ex-escravos retornados do Brasil para a Nigéria e o Benin e fala do candomblé como espaço de resistência nas duas culturas.

David Aradeon, professor emérito da Universidade de Lagos, analisou o patrimônio arquitetônico afro-brasileiro na costa oeste da África: edificações erigidas por ex-escravos ou seus descendentes, que regressaram ao continente africano após a libertação da escravatura no Brasil. Parte do resultado de suas pesquisas compõe a obra Antecedentes dos Espaços Afro-Brasileiros, que foi exposta na documenta 12, em Kassel.
na Nigéria e no Benin ---->
Na instalação composta principalmente por fotografias, Aradeon traça paralelos entre o universo mítico-religioso dos povos Nagô-Iorubá e Fon, originários da Nigéria e do Benin, e a cultura baiana. Esses povos, afirma Aradeon, "exerceram uma influência inextinguível na cultura brasileira, que vai da língua à moda, do candomblé ao carnaval, do samba como música à maneira de dançar".

Mais tarde, a interseção entre as duas culturas – brasileira e africana – se daria no sentido inverso, quando, após a abolição da escravatura, grupos de escravos libertos ou seus descendentes retornaram a seus países de origem na África. Eram brasileiros, levando de volta ao continente africano costumes e formas européias moldadas no Brasil.

Leia abaixo a íntegra da entrevista com David Aradeon sobre os espaços afro-brasileiros, os paralelos entre formas de comportamento nos dois lados do Atlântico e os conflitos gerados pela migração das formas:

DW-WORLD: Sua obra que foi exposta na documenta 12 trata das influências da cultura brasileira na arquitetura nigeriana. De quais paralelos você partiu para desenvolver esse trabalho?

David Aradeon: Na virada do século, a cultura afro-brasileira foi uma das muitas culturas que formaram a paisagem cultural de Lagos e especialmente da região de Porto Novo, no Benin (países Fon e Iorubá). Quando digo cultura, me refiro a sistemas de religião e crença, arquitetura, arte, culinária, música e dança. O afro-brasileiro é a criação dos contatos e conflitos entre as culturas européia e africana no século 20. As conseqüências e repercussões deste contato continuam a formar e reformar nossos ambientes globais.

A sobrevivência das culturas africanas no Novo Mundo é extraordinária. Essa sobrevivência é tão mais digna de nota, quando se lembra que todo aquele que é arrancado e forçosamente levado embora de seu ambiente, como os escravos eram, estava proibido de carregar consigo qualquer bem material, ao ser transportado de navio.

FOTO: Construções: saber dos escravos retornados ------>>>
Meu interesse específico pelo patrimônio arquitetônico afro-brasileiro na África Ocidental me levou a questões mais amplas, ou seja, aos africanos e aos espaços afro-brasileiros nas instituições escravagistas de colonização portuguesa no Brasil. As formas dos sobrados e a arquitetura das mesquitas, criadas pelos afro-brasileiros na África Ocidental, devem ter sido a junção de elementos estilísticos – percebidos/vistos/observados como "fragmentos de tempo".

Os construtores e artesãos mestres, que retornaram para a África para criar e construir, não dispunham de esboços para guiar seus trabalhos. Até hoje, um grande número de edificações na região continua sendo construído sem se apoiar em desenhos, numa perpetuação do trabalho comunitário ético, que constrói as formas e os espaços das tradições formadas por suas culturas.

Os estilos arquitetônicos afro-brasileiros, especialmente os sobrados, estiveram em voga durante as décadas de 1940/1950 nos centros urbanos de Lagos, Badagry [Nigéria] e Porto Novo [Benin], de onde o estilo se disseminou para o leste/oeste e para o norte. Os construtores responsáveis por essa disseminação pertenciam a uma segunda geração, que havia aprendido com os mestres construtores afro-brasileiros.

D-WORD - No ensaio Formas do Espaço e da Casa, você menciona os conflitos causados na Nigéria pelos "transplantes europeus". A presença das formas brasileiras também desencadeou conflitos?

Claro. Dentro do contexto de seu retorno ao ambiente de suas memórias coletivas, os afro-brasileiros eram brasileiros. Falavam português, vestiam-se seguindo estilos europeus, eram católicos e viviam em bairros especiais, planejados para eles pelas autoridades coloniais britânicas. Na organização espacial de Lagos, eles eram parte de uma cultura localizada entre a cultura local e as instituições coloniais britânicas.

FOTO: Procissão católica em Salvador: elementos da cultura africana. ----->>


No momento em que a autoridades coloniais estavam exatamente solidificando seu controle sobre Lagos, os afro-brasileiros eram vistos como estrangeiros pela população local. Apesar das boas intenções e dos propósitos, a forma da habitação, o espaço e os estilos de vida transplantados do Brasil colonial criaram conflitos. Por exemplo, a organização interna e a forma de uma casa (tipologia do sobrado), que estabelece espaço para funções específicas: falar/descansar, dormir, jantar, cozinhar, etc.

D-WORD - A arquitetura aparece no seu trabalho como uma referência à herança cultural dos dois lados do Atlântico. Poderia citar outras obras de artistas ou trabalhos acadêmicos, que refletem sobre as influências latino-americanas na África?

Sim, na música popular, o ritmo afro-cubano exerceu uma grande influência na primeira geração de músicos populares do Congo, como Kabaselle e O.K. Jazz, para mencionar apenas as duas maiores figuras da cena de dance music congolesa na década de 1960.

Também o trabalho do historiador mexicano Jose Luis Melgarejo Vivanco sobre a presença dos africanos no México, anterior à aparição dos europeus, em El problema olmeca, publicado em 1973, deveria servir como uma das plataformas para a colaboração entre trabalhos de pesquisa acerca da migração das formas entre as duas culturas.

D-WORD - Quanto tempo você permaneceu no Brasil? Ao pesquisar, detectou peculiaridades entre uma região e outra do país, em relação à influência africana?

Para meu trabalho de campo, estive na Bahia por um período de aproximadamente cinco meses, em 1992. Passei a maior parte do tempo em Salvador e visitei regiões de plantio de cana-de-açúcar e cacau. Estive também rapidamente em Recife. Devido ao curto espaço de tempo, não tive condições de observar as diferenças entre as regiões brasileiras. Anteriormente, em 1981, passei um semestre como professor visitante em São Paulo, num programa de intercâmbio entre a Universidade de Lagos e a USP.


D-WORD - Há uma consciência sobre a importância das influências africanas no Brasil?

Quando estive na Bahia, vivi essa influência. A cultura do candombé é internalizada, o estilo de vida é manifesto. Tive o privilégio de visitar Carybé, o celebrado pintor da Bahia, e ver suas esculturas elegantes em madeira sobre os rituais do candomblé, no Museu de Antropologia do Pelourinho. Suas aquarelas sobre a iconografia do candomblé são líricas. Argentino de nascimento, ele era um membro do Ilê Axé Opô Afonjá, visitou os países iorubá e fon na África Ocidental com Pierre Verger, como parte de seu estudo de preparação para a iconografia do candomblé.

Fui também bem recebido por Mãe Stella no candomblé Axé Opô Afonjá, onde participei de eventos culturais e assisti a aulas em língua iorubá. Visitei também vários outros candomblés na região de Salvador e na Ilha de Itaparica. Minhas visitas a todos esses lugares e a participação nos eventos sociais e religiosos enriqueceram enormemente minha apreciação pelos sistemas de crença, que garantiram a sobrevivência das culturas fon e iorubá no Brasil. As pessoas eram escravizadas, mas seus orixás não.

D-WORD - Seu trabalho passa por uma reflexão acerca do "sagrado". Ele é e foi uma forma de resistência silenciosa, tanto na África quanto no Brasil?

Durante o período da escravatura e da emancipação, o candomblé não foi apenas uma religião, mas também um espaço – um povoado africano em miniatura – e piece de resistance. Ele dava esperança, socorria e possibilitava um ambiente familiar novo e uma estrutura aos afro-brasileiros, cujas estruturas familiares haviam sido deliberadamente fragmentadas pela instituição escravagista. Hoje, o candomblé cresceu, floresceu e continua a fornecer sustância espiritual aos brasileiros: negros, brancos e de todas as cores e matizes entre um e outro.

Soraia Vilela

FONTE: DW-WORD.DE
PARA COMPLEMENTAR SUA LEITURA SOBRE A INFLUENCIA DOS EX-ESCRAVOS DO BRASIL NO CONTINENTE AFRICANO, LEIA O ARTIGO INTITULADO "A EPOPÉIA DO RETORNO" QUE VOCÊ PODE BAIXAR NO NOSSO HD VIRTUAL (http://www.4shared.com/get/94498015/80be700b/A_Epopia_do_Retorno_-_Revista_Veja_07_de_julho_de_1999.html).
BONS ESTUDOS

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A 200 anos nascia Charles Darwin, pai da teoria da evolução


Você com certeza já ouviu o ensinamento religioso de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Mas também já deve ter ouvido a teoria de que o homem chegou ao que é hoje após ter evoluído a partir de um ancestral e que somos parentes dos macacos. Pois esta última teoria, que tanto causa polêmica, é baseada nas descobertas do naturalista Charles Robert Darwin, nascido há 200 anos na Inglaterra.

Neste ano, eventos em todo o planeta comemoram o bicentenário de nascimento do nascimento do pai da teoria da evolução, assim como os 150 anos de publicação de sua obra fundamental: “A Origem das Espécies”.
Conheça abaixo a biografia, importância e curiosidades sobre este ilustre britânico.
Biografia
Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury, na Inglaterra, no dia 12 de fevereiro de 1809 em uma família religiosa e culta. Foi o quinto dos seis filhos do médico Robert Darwin e de sua mulher Susannah Darwin. Seu avô paterno era Erasmus Darwin, era poeta, médico e filósofo. Perdeu a mãe quando tinha 8 anos e, no ano seguinte (1818), começou seus estudos numa escola local.
Em 1825, foi estudar medicina na Universidade de Edimburgo, porém, não se interessou pela profissão mostrando sempre ser um apaixonado pela natureza. Partiu então para a cidade de Cambridge para estudar artes e se tornar um clérigo. Lá, conheceu o botânico John Stevens Henslow, que despertou ainda mais seus interesses por história natural.
Por recomendação de Henslow, Darwin conseguiu ser incluído em uma expedição ao redor do mundo como naturalista e, em dezembro de 1831, a bordo do navio Beagle, partiu para uma viagem de quase cinco anos.
Durante a expedição, Darwin estudou e coletou amostras geológicas, fósseis e outros organismos vivos, muitos dos quais novos para a ciência. Passou pela América do Sul e Austrália, realizando diversos estudos. Retornou à Inglaterra em 1836, já com certa fama cultivada por Henslow, que divulgava as suas descobertas.
Em 1837, fez demonstrações de suas coletas e teorias sobre fósseis e da geologia da América do Sul. Acabou sendo eleito para o conselho da Geological Society, mas, nesse meio tempo, passou a conviver com problemas de saúde. Casou-se em 1839 com sua prima Emma Wedgwood e tive dez filhos.
Darwin trabalhou secretamente em sua teoria da evolução e a compartilhava apenas com poucos amigos pois sabia que era polêmica e se chocava com os ensinamentos religiosos. Em 1856, começou a escrever o seu livro depois de tomar conhecimento de que outro naturalista, Alfred Russel Wallace, compartilhava das mesmas ideias. O livro, cujo nome completo é “Sobre a Origem das Espécies Por Meio de Seleção Natural”, foi finalmente publicado em 1859.
Religiosos e conservadores reagiram à sua teoria da evolução, o que o naturalista já esperava. Porém, cientistas não demoraram a aceitar a proposta de que as plantas e os animais evoluem e se modificam ao longo das eras.
Darwin morreu em Downe, na Inglaterra, em 19 de abril de 1882 e seu corpo foi enterrado na abadia de Westminster próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton.
A teoria
Darwin defende duas teorias principais: a da evolução biológica, em que todas as espécies de plantas e animais que vivem hoje descendem de formas mais primitivas, e a de que esta evolução ocorre por "seleção natural".
Grande parte das observações que o levou a desenvolver sua teoria aconteceu nas Ilhas Galápagos, no Oceano Pacífico, quando percebeu que muitas espécies de animais que viviam nas ilhas eram semelhantes às que viviam no continente, mas apresentavam certas diferenças de uma ilha para outra, principalmente, os tentilhões, pássaros cujo bico apresentava um formato em cada ilha, de acordo com o tipo de alimentação disponível.
Para o naturalista, estava provado ali que houve uma seleção natural onde, se há um pássaro que vive em uma ilha que só tem grãos, os pássaros com bico mais resistentes vão permanecer. Os outros acabam morrendo.
Darwin no Brasil
Você sabia que durante sua viagem pelo mundo, Darwin passou cerca de cinco meses no Brasil? O naturalista conheceu a Salvador e o Rio de Janeiro e ficou encantado com a exuberância da floresta tropical, mas horrorizado com a escravidão e a violência contra os escravos.
Em 1832, em Salvador, chegou a conhecer o Carnaval, mas preferiu ficar na tranquilidade do Beagle. No Rio, andou pela Floresta da Tijuca, foi ao Jardim Botânico e ao Pão de Açúcar e coletou centenas de plantas e insetos. Em seus diários, fez anotações sobre a falta de educação dos brasileiros e da facilidade em se obter vantagens através do suborno.

-------->>>> Este é olink de nosso HD virtual onde vcs podem baixar a Revista Veja com a reportagem comemorativa dos 150 anos da Teoria da Evolução, teoria esta discutida em sala e que vocês podem complementar seu aprendizado com esta leitura.

http://www.4shared.com/account/dir/12506584/679a43b3/sharing.html?rnd=3

Lembrando para os alunos do 9º ano do CPA que, esta teoria é considerada por muitos (na época) como a que deu origem ao chamado DARWINISMO SOCIAL.

BONS ESTUDOS

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Instruções

Este é o Link do HD virtual onde está o nosso material de aulas.
http://www.4shared.com/dir/12506584/679a43b3/sharing.html

Se você perder, rasgar ou outra coisa qualquer, baixe o arquivo e imprima. Quando possível, iremos disponibilizar material complementar.

Os arquivos estão dentro de pastas separadas por escola e por turma.
CCA+ -----> 9º ano do Fundamental e 1º ano do Médio.
CPA -----> 6º,7º, 8º e 9º anos do Fundamental.

E este é o link da comunidade dos atuais alunos, professores e funcionários do CPA no Orkut
CPA - Campina Grande ►►► http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=82520093

BONS ESTUDOS

O que é História e para que serve?

Estabelecer conceito é algo bastante difícil, firmar um para a História é ainda mais, pois desde o seu início aos dias atuais, esta área do conhecimento transformou-se, verificou suas próprias limitações e abriu novas possibilidades. Conceito geralmente é usado para algo que não muda e a História nunca foi imutável.
“a História é uma ciência, mas uma ciência que tem uma de suas características o que pode significar sua própria fraqueza, mas também sua virtude, ser poética pois não pode ser reduzida a abstrações, a leis, a estruturas.” (BLOCH, Marc. Apologia à História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro, Zorar, 2001, p.19)
O que podemos fazer é tentar entender o que a História estuda, investiga e se propõe. Portanto, sabendo que é uma ciência humana, pois possue um método, regras e responsabilidades, estuda as mudanças e as permanências nas ações e nas formas de pensar do ser humano através do tempo. Investigar o passado através de vestígios como um detetive, é tentar descobrir como as formas de agir e de pensar de uma época mudaram ou continuaram nos influenciado até os dias atuais.
Entender a história é compreender a si próprio e a nossa sociedade, mas também, avaliar de que forma os erros do passado podem nos ensinar e se possível evitar suas repetições. A História é a busca do vivido, esse vivido através do qual traçamos nossa própria existência, não significando estudar o passado pelo passado, há possibilidade pelo próprio presente e suas necessidades futuras. Por tanto a História alcança um patamar significativo na construção do futuro, fazendo um dialogo com o passado e o presente em suas situações e soluções específicas, ensinando a complexidade do real, sua diversidade, suas especificidades.