sábado, 29 de agosto de 2009

INDEPENDÊNCIA OU MORTE?

UMA LEITURA DA OBRA DE PEDRO AMÉRICO

Existem controvérsias a respeito do famoso grito, de acordo com o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, testemunha ocular dos acontecimentos, estes não teriam sido tão glamourosos como narram constantemente. De acordo com a versão do padre, o então príncipe regente retornava de Santos montado em uma mula e sofrendo de problemas gástricos quando recebeu a correspondência, tomando ciência de seu conteúdo, recompôs a farda, jogou e pisoteou os papeis dizendo ao padre, “nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal!” arrancando o chapéu e o laço azul e branco simbolizando a autoridade portuguesa dizendo em seguida, “Pelo meu sangue, por minha honra e por Deus, juro fazer a liberdade do Brasil”.





Outras peculiaridades norteiam este acontecimento. Não é rara a presença da obra O grito do Ipiranga nos livros didáticos, reprodução que limita-se a mera corroboração dos acontecimentos e do conteúdo estudado, é como se estivesse sendo dito “olha lá, foi desse jeito, eu disse! Raro sim é a analise contextual e ideológica da obra e os motivos de seu intenso uso.

Partindo do pressuposto que a arte reflete uma época, o método de contextualização é bastante pertinente tanto na pesquisa como no ensino de História, portanto relevante também para a compreensão da História e de uma época. Perguntas então se fazem necessárias: quem produziu tal documento? Que lugar seu promotor ocupa na estrutura social? A quem é dirigida a mensagem de seu documento? A partir de que argumentos organizam seu discurso? O que parece pretender com essa ou aquela afirmação?

Para isso, se faz necessária uma breve biografia do autor. Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843 - 1905) nasce na cidade de Areia na Paraíba. Aos 10 anos, participa como desenhista, da expedição do naturalista francês L.J. Brunet que percorre o Nordeste do país. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1854 e, no ano seguinte, ingressa na Academia Imperial de Belas-Artes. Patrocinado por dom Pedro II, em 1859 viaja à França, onde aperfeiçoa seu estilo com pintores como Ingres, Cogniat e Vernet. Retorna ao Brasil e é nomeado professor da Academia Imperial de Belas-Artes, pinta cenas históricas, bíblicas ou mitológicas, influenciado pela arte academista do século XIX. Entre 1873 e 1885, o pintor vive na Europa e faz várias exposições. De volta ao país, é eleito deputado constituinte em 1890. Morre em Florença, na Itália.

A obra O Grito do Ipiranga, está atualmente exposta no Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), instalado no conjunto do Monumento do Ipiranga. Trata-se de uma pintura histórica encomendada pelo governo de D. Pedro II, já no período de crise do império, afim de exaltar D. Pedro I e rememorar o “nascimento” da nação e do Império.

Pedro Américo que tinha uma estreita relação com o governo, foi encarregado de criar uma versão oficial do ocorrido e para isso fez uma obra enorme medindo 4,15 x 7,6m, inserindo elementos inventados, pintando cavalos imponentes e uniformes impecáveis do agrupamento da Guarda Nacional ( que só é criada em 1831 ). Outros elementos inseridos pelo autor podem ser observados na obra como, o boiadeiro e seu condutor, um viajante e seu escravo, além de uma casa ao fundo inexistente em 1822, construída apenas em 1850. O objetivo do autor era mostrar o processo de independência como um acontecimento que contou com a participação popular nem que seja de maneira passiva, bestializada com o que estava acontecendo ali.

O principal modelo artístico de Pedro Américo e o Romantismo (uma de suas características é o nacionalismo), e essa é a corrente artística do Positivismo, corrente científica que nasce com a sociedade industrial, defendendo a criação e a manutenção de uma ordem para o progresso da Nação. O positivismo que foi o principal modelo técnico-científico, usado inclusive pelas disciplinas escolares, que se apropriou desta obra para ratificar o heroísmo dos que promoveram a independência de uma nova nação e estimular o patriotismo no processo de educacional do “brasileiro”.

Portanto esses eram os interesses do autor, do governo e do sistema educacional, apropriação esta que foi feita desde o período do Império até o governo militar das décadas de 1960 e 1970. Atualmente é revista a sua função como documento, pois nunca foi inocente, apresentando interesses e ideologias de uma época e de um sistema a fim de elaborar uma mentalidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

UEPB-PREVEST - O período regêncial brasileiro

A situação política
Em 1831, D. Pedro I abdicou do trono em­ favor de seu filho Pedro de Alcântara, que tinha apenas 5 anos de idade. Conforme as regras da constituição do império, o Brasil seria governado por um conselho de três regentes, eleitos pelo Legislativo, enquanto Pedro de Alcântara não atingisse a maioridade (idade de 18 anos). O período regêncial foi marcado também por importantes revoltas políticas e sociais que, agitaram a vida do país. Diferentes setores da sociedade (desde os grupos mais ricos até os mais pobres) lutavam pelo poder político.

As regências e os grupos que disputavam o poder
Após a abdicação de D. Pedro I, a vida pública do país foi dominada por três grupos principais que disputavam o poder político: restauradores, liberais moderados e liberais exaltados. Em 1834, D. Pedro morreu em Portugal, aos trinta e seis anos de idade. Com sua morte, teve fim o objetivo do grupo dos restauradores.

Com a morte de D. Pedro I em 1834, o grupo dos restauradores se dissolveu, fundindo-se com os moderados. Por volta de 1837, o grupo dos liberais moderados dividiu-se em duas grandes alas: os progressistas que criariam o Partido Liberal e os regressistas que dariam origem ao Partido Conservador. Eles passaram a disputar o Centro do poder. Por essa época, os restauradores e os liberais exaltados já tinham perdido grande parte de sua influência política.

As revoltas Provinciais: crise e autoritarismo
No período das regências inúmeras revoltas explodiram pelas províncias brasileiras. Preocupado, o regente Feijó chegou a dizer: "o vulcão da anarquia ameaça devorar o império". Havia muitas razões para tantas revoltas.

A crise socioeconômica
No campo econômico, as exportações brasileiras perdiam preço e mercado. O açúcar de cana sofria a concorrência internacional das Antilhas e dos Estados Unidos (açúcar de beterraba). O algodão, o fumo, o mate e o couro tam­bém enfrentavam a forte concorrência de outras áreas produtoras. O ouro era um minério quase esgotado. No campo social, o povo das cidades e do campo levava uma vida miserável. Os alimentos. Os alimentos eram caros. A riqueza e o poder estavam concentrados em mãos dos grandes fazendeiros e comerciantes.

O autoritarismo e a falta de autonomia
No campo político, havia grande oposição ao autoritarismo do governo central do império. As províncias queriam mais liberdade e autonomia. Queriam o direito de eleger seus próprios presidentes da província. Muitos políticos das províncias pregavam a separação do governo central.

Baixem aqui a tabela com o resumo das principais Revoltas Regenciais:
http://www.4shared.com/file/122739611/5b18da80/Tabela_-_Revoltas_do_perodo_regencial.html

Nestes links vocês terão mais informações dos governos, da política e das revoltas regenciais: http://novahistorianet.blogspot.com/2009/01/regncia-e-as-revoltas-regenciais.html

http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/periodo_reg.html

Neste link você pode conhecer um pouco de outras revoltas desse período:
http://www.ahimtb.org.br/c3e.htm

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Guerra Fria - Atividade 9º ano - CCA+

A história dos últimos 50 anos do nosso século foi inteiramente condicionada pelos resultados da 2ª Guerra Mundial, quando em 1945, depois de 6 anos batalhas em quase todos os continentes da terra, a Grande Aliança (os E.U.A a GB. e a URSS) conseguiu vencer o Eixo (a Alemanha nazista, a Italia fascista e o Japão do micado). No final, depois de ter-se dissipado a fumaça e em meios aos escombros que cobriam 50 milhões de mortos, restaram apenas duas potências, logo chamadas, com toda a razão, de superpotências: os Estados Unidos da América e a União Soviética.


A Guerra Fria foi um conflito teórico que ocorreu pouco depois da Segunda Guerra Mundial, entre os Estados Unidos e a União Soviética. Este conflito se iniciou quando as duas potências tentaram influenciar outros países acerca de seus sistemas políticos, econômicos e militares. A União Soviética buscava implantar o socialismo em outros países para que pudessem expandir a igualdade social, enquanto os Estados Unidos tentavam influenciar outros países com o sistema capitalista que se baseava na democracia e na economia de mercado.


O Muro de Berlim foi uma realidade e um símbolo da divisão da Alemanha em duas entidades estatais, a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA). Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: Berlim Ocidental (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América; e Berlim Oriental (RDA), constituído pelos países socialistas simpatizantes do regime soviético (ver mapa aqui). Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de o atravessar.


Muro de Berlim em 1986. Click aqui para ver mais fotos sobre o Muro de Berlim, fotos da época, de sua rerrubada e de como está hoje.


ATIVIDADE ONLINE:
http://prof.francodigi.com/activ_historia/blocosres/frame.htm
Após a devida atividade, você deve copiar o resultado no caderno.


LINKS COM MATERIAL PARA PESQUISA:
http://www.mundoeducacao.com.br/guerra-fria
http://www.suapesquisa.com/guerrafria/
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/guerrafria/

Laika: o primeiro ser vivo terrestre a ir ao espaço.


Vocês lembram da cadelinha Laika? o primeiro ser vivo a ir ao espaço? Vocês me perguntaram o que aconteceu depois com essa linda cachorrinha da foto? Pois eu pensei nisso esses dias, e descobri o quão triste foi o destino de Laika!

Laika era uma cadela que vivia solta nas ruas de Moscou, pesava aproximadamente seis quilos e tinha três anos de idade quando foi capturada para o programa espacial soviético. Originalmente a chamaram Kudryavka (risadinha), depois Zhuchka (bichinho), e logo Limonchik (limãozinho), para finalmente chamá-la Laika. Os cães capturados eram mantidos num centro de investigação, e três deles foram treinados para a missão: Laika, Albina e Mushka.Albina foi lançada duas vezes em um foguete para provar sua resistência nas grandes alturas, e Mushka foi utilizada para o teste da instrumentação e dos equipamentos de suporte vital. Laika foi selecionada para participar da missão orbital, e Albina como a principal substituta.
Durante o treinamento, a adaptação dos animais ao confinado exigiu que permanecessem em compartimentos cada vez menores por até vinte dias. O confinamento forçado provocou distúrbios nas funções excretoras dos animais e deteriorando sua condição física geral.O Sputnik II foi lançado em 3 de novembro de 1957. Os sinais vitais da Laika eram seguidos por controle em terra. Ao alcançar a máxima aceleração depois da decolagem, o ritmo respiratório do animal aumentou de três a quatro vezes em relação ao normal, e a freqüência cardíaca passou de 103 a 240 batimentos por minuto. Ao alcançar a órbita, a ponta cônica do Sputnik II desprendeu-se com sucesso. A outra seção da nave que deveria desprender-se não o fez, impedindo que o sistema do controle térmico funcionasse corretamente. Parte do isolamento térmico desprendeu-se, permitindo que a cápsula alcançasse uma temperatura interior de 40 °C.
Após três horas de micro-gravidade, o pulso de Laika havia descido a 102 batimentos por minuto; esta descida na freqüência cardíaca havia tomado três vezes mais tempo que o experimentado durante o treinamento, o que indicava o alto estresse da cadela. A recepção de dados vitais parou entre cinco e sete horas depois da decolagem.No entanto, a informação que Moscou deu dizia que o animal se comportava em calma em seu vôo espacial, e que em poucos dias Laika desceria à Terra. Todo mundo acreditava que o animal levava alimento suficiente, e muitas pessoas esperavam o regresso de Laika.

O Sputnik II não estava preparado para regressar à Terra de forma segura, pelo que já se sabia que Laika não sobreviveria à viagem. Os cientistas soviéticos planejaram dar-lhe comida envenenada, que Laika consumiria depois de dez dias. Durante anos, a União Soviética deu explicações contraditórias sobre a morte de Laika, dizendo que a cadela havia morrido por asfixia quando as baterias falharam, ou que haviam feito eutanásia conforme os planos originais. Em outubro de 2002, o cientista Dimitri Malashenkov, que participou no lançamento do Sputnik II, revelou que Laika havia morrido entre cinco e sete horas depois da decolagem, devido ao estresse e superaquecimento. Ele declarou, num artigo que apresentou no Congresso Mundial do Espaço em Houston: "Foi praticamente impossível criar um controle de temperatura confiável em tão pouco tempo".

O Sputnik II finalmente explodiu (junto com os restos de Laika) ao entar em contato com a atmosfera, em 14 de abril de 1958, após 163 dias e 570 órbitas em volta da Terra.A deliberada morte de Laika desencadeou um debate mundial sobre o maltrato aos animais e os avanços científicos à custa de testes com animais. Embora vários animais já houvessem morrido em missões dos Estados Unidos nos nove anos anteriores ao Sputnik II, Laika foi o primeiro animal enviado ao espaço sem esperanças de ser recuperado.

No Reino Unido, a Liga Nacional de Defesa Canina (NCDL, atualmente Fundação para os Cães) pediu para os donos de cães guardarem um minuto de silêncio em honra a Laika. Vários grupos protetores dos direitos animais protestaram em frente das embaixadas soviéticas.Somente em 1988 que Oleg Gazenko, um dos cientistas responsáveis por mandar Laika ao espaço, expressou remorso por permitir a morte dela: "Quanto mais tempo passa, mais lamento o sucedido. Não deveríamos ter feito isso.... nem sequer aprendemos o suficiente desta missão, para justificar a perda do animal".

Homenagem
Em 11 de abril de 2008 foi inaugurado um monumento em honra à cadela Laika no centro de Moscou. A figura de bronze, de dois metros de altura, representa um dos segmentos de um foguete espacial, que se transforma em uma mão humana, sobre a qual está o corpo de Laika.
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Não sei vocês, mas eu, como amante inveterado de cahorros, fiquei muito triste e pensando o quanto foi inútil para nós o sacrifício da cadelinha Laika e de tantos outros animais. Afinal, toda essa "corrida espacial" serviu apenas para manter os interesses políticos tanto da URSS quanto dos EUA, me pergunto então qual foi a benfeitoria dessas atividades para a vida na terra (sejam de humanos ou de qualquer outro ser vivo) .

domingo, 2 de agosto de 2009

Atividade de Pesquisa Orientada - 9º ano CCA+

Olá para todos do 9ºANO

Mais uma vez propondo pesquisas para o engrandecimento do conhecimento, só que agora, faremos com orientações bem definidas e de modo bem mais cooperativo e interativo. Na Webquest (baixem os arquivos nos seguintes links) teremos dicas de sites para realizarmos nossa pesquisa e orientações de como serão feitas as atividades, por isso, leiam com bastante atenção. Até o dia 14 de agosto vocês devem me enviar por e-mail as atividades, assim posso fazer algumas sugestões e dia 20 de agosto teremos as apresentações de todos os grupos.

Links para baixar

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ocupação do Interior Paraibano

Ao escrever em 1627, a primeira História do Brasil, o Frei Vicente do Salvador comentou que os portugueses ficavam “arranhando as costas litorâneas como caranguejos”, isso se deve pela insistente ocupação litorânea, onde a maior preocupação era explorar e exportar. Essas eram as características da colonização portuguesa, onde as atividades que gerassem maior lucro e tivessem maior mercado, seriam adotadas em suas posses. Nesse período as maiores fontes de riqueza na colônia ainda eram a extração de pau-brasil e a produção de açúcar nos engenhos. Disse um desses produtores “não deixo de plantar um só pé de cana, no perigo de renegar a melhor fonte de lucros da colônia,” depoimento esse que reflete a ação típica de uma colônia de exploração.
Porém a ocupação do interior e dos sertões se deu pela necessidade de buscar outras fontes de riqueza e pela efetiva ocupação do território, constantemente ameaçada por estrangeiros e pelos indígenas que resistiam a ocupação de suas terras. Além disso, o incentivo do governo português concedendo sesmarias (lotes de terras) a quem desbravasse o interior, atraia um grande número de aventureiros. Com esse propósito, frentes de ocupação foram criadas, entre elas distingue-se as entradas, bandeiras, missões e criação de gado.

De uma maneira geral as causas das investidas sobre o interior do Brasil foram:
- a busca de ouro e metais preciosos;
- a preação do índio para substituir o negro que se tornava peça cada vez mais cara;
- o espírito aventureiro do português que se sentia atraído pelo desconhecido e pela possivel riqueza que poderiam encontrar, uma idéia bem explicada pelo mito do “El Dourado”. Prestando serviços ao seu rei, sabiam que seriam bem recompensados;
- a facilidade em se obter sesmarias (terras incultas, não povoadas que o rei concedia a quem quisesse e pudesse desbravá-las e povoá-las à sua custa);
- a criação do gado.
- Missões de catequização dos nativos:

Na Paraíba essas quatro últimas causas foram responsáveis pelo desbravamento do seu interior sendo a criação do gado a principal, o que destaca o papel fundamental dos vaqueiros e tropeiros. Na Paraíba como em todo o Brasil, desenvolveu-se no litoral, a lavoura do açúcar tinha enriquecido tanto essa região que os seus moradores não manifestavam o menor interesse em se fixarem em terras distantes do mar. Os limites da Paraíba até 1650, para o Oeste, não iam além da montanha de Copaoba, hoje Serra da Raiz. Reforçando esta prática a Carta Régia de 1701, proibia a criação de gado a menos de 10 léguas da costa. O gado foi introduzido no Brasil por Tomé de Sousa em 1530 que o destinou para a Bahia e Pernambuco, e estes foram portanto, os principais focos de penetração para o interior.

Vias de Penetração da Paraíba
A penetração na Paraíba deu-se na metade do século XVII, por três vias distantes e opostas;
- pela subida do rio Paraíba
- pelas nascentes desse rio
- ao longo do Rio Piancó.


Observe no mapa a localização e os percurssos dos rios paraibanos, assim, você pode traçar a trajetória dos sertanistas em nosso Estado.


O rio Piancó tem suas cabeceiras no divisor de águas com o Pageú, afluente do médio São Francisco, também chamado de Rio dos Currais, pela sua grande quantidade de criações em suas margens. O Pageú foi o caminho para o povoamento da parte ocidental da capitania, comunicando a região do São Francisco com a parte do Piranhas. Transpondo os colonizadores, rumo ao norte as nascentes do Pageú, caiam no vale do Piancó e estavam na região do Piranhas.
Marchando pela Borborema, partindo do Moxotó, alcançavam as cabeceiras do Paraíba, entravam nos Carirís Velhos. Seguindo de leste a oeste pelo curso do Paraíba, em sentido inverso, entravam na mesma zona dos Carirís Velhos. Portanto, vindo do interior baiano e pernambucano subiram para a Paraíba.

Primeiros Desbravadores
Os Oliveira Ledo;
Os Garcia d’Avila (Casa da Torre);
Manoel de Araújo Carvalho.

Os Oliveira Ledo
Antônio De Oliveira Ledo – penetrando no território pelo rio Paraíba, Antônio de Oliveira Ledo fundou o primeiro núcleo de colonização do nosso Estado, numa fenda da Serra de Carnoió, hoje a cidade de Boqueirão. Seguindo Antônio de Oliveira o curso do rio Paraíba, deste passou para o Taperoá e descendo a Borborema, seguindo o rio da Farinha, entrou nas Espinharas. Estacionou “no lugar onde hoje se encontra a cidade de Patos e aí fundou “as sesmarias”. Seguindo o rio Espinharas, Antônio de Oliveira Ledo foi até o Rio Grande (do Norte). Daí regressou para Boqueirão. Quando o capitão-mor da Paraíba soube do grande feito de Antônio, convidou-o a fazer uma entrada Leste-Oeste. E ao chegar no oeste paraibano, Oliveira Ledo encontrou entradistas da Casa da Torre, sem que a capital tivesse conhecimento do fato. Pelo grande feito Antônio de Oliveira Ledo recebeu, em 1682, a Patente de Capitão, de Infantaria da Ordenança do Sertão da Capitania da Paraíba.

Constantino De Oliveira Ledo – continuou o trabalho do seu tio Antônio. Já o tinha acompanhado desde sua primeira entrada, como também na viagem empreendida de leste para o oeste. Recebeu a alta patente de Capitão-Mor das Fronteiras das Piranhas, Carirís e Piancós. Quando Constantino recebeu essa alta patente, os tapuias estavam sublevados. Enfrentou os índios em guerra e arriscou várias vezes sua própria vida. Faleceu em 1694. O posto foi ocupado pelo seu irmão Teodósio.

Teodósio De Oliveira Ledo – é considerado o mais cruel dos desbravadores. Foi incansável na sua luta para a dominação dos Tapuias. Em 1697, aldeiou os ariús numa grande campina, local onde hoje é Campina Grande. Em 1698, percorreu pleno território selvagem. Penetrou nos sertões de Piancó e em Pau Ferrado, acampou. Daí marchou na direção Oeste e chegou até o Rio Grande do Norte (Apodi). Voltou para as Piranhas, fundou um Arraial para segurança dos seus moradores, que criavam gado na região.
A linha de Penetração de Teodósio teve seu ponto terminal, no lugar onde hoje se ergue a cidade de Pombal, cujo local chamava-se antigamente de Povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Piancó. A povoação de Bom Sucesso de Piancó compreendia a região. Piancó, não se refere ao rio mas a toda região.
Em torno dessa figura se criou o mito do grande herói desbravador, civilizador e cristianizador do que teria fundado Campina Grande, esse mito está presente na narrativa de alguns escritores que acabam perpetuando essa idéia, exemplo disso é o trecho de um trabalho dos alunos de uma escola de Campina Grande que diz:
“Assim podemos observar que Teodósio de Oliveira Ledo consolidou a Conquista do Sertão. Pagou um preço muito alto porque para muitos ele foi cruel no extermínio dos tapuias. Na época porém, havia outra solução? Os índios amavam demais à sua terra e por ela matavam ou morriam e é muito fácil fazermos uma idéia do que seja mil ou milhares de tapuias sublevados.”

Monumento em memória de Teodósio de Oliveira Ledo, localizado na Praça Clementino Procópio

Os Garcia D’avila (Casa da Torre).
Francisco Dias d’Avila – era sucessor de Pe. Antônio Pereira e Senhor da Torre, protegido de Tomé de Sousa, estabeleceu, de início, os seus currais na Bahia. Depois suas fazendas de gado se espalharam pelo rio São Francisco e chegaram até o Piauí. Talvez o maior dos latifundiário do Brasil. Os senhores da Torre, foram os pioneiros na parte ocidental da nossa capitania, mas não se fixaram nessa região, arrendaram ou doaram suas terras nas ribeiras dos Rios Piancó, Peixe e Piranhas de Cima.

Manoel De Araújo Carvalho - veio pelo Pageú e após um ano de combate aos índios, passou para o Rio das Piranhas, encontrando aí Teodósio de Oliveira Ledo, que estava em guerra com os índios panatís. Vencidos esses indígenas, Manoel de Araújo encaminhou-se para os sertões do Rio do Peixe e Piancó. Essa empresa custou três anos. Depois de várias lutas e com grande diplomacia o coronel Araújo vence os índios, tornando-se assim o grande responsável pela Conquista do Piancó. Foi nomeado Juiz para essa região e exerceu o cargo durante nove anos.

Conseqüências do Desbravamento do Sertão

Guerra dos Carirís
Os índios sempre travaram lutas com os portugueses e por diferentes causas no período colonial. A guerra dos Carirí foi a mais longa. A guerra começou declaradamente em 1687, porém de longa data. Desde que João Fernandes Vieira em 1657, governava a Paraíba, para se vingar dos tapuias que, aliados aos holandeses, lutaram contra portugueses que puseram a ferro dois filhos do principal dos Tapuias. E os índios jamais iriam esquecer tamanha afronta.
Começou a guerra no Rio Grande do Norte, contra os fazendeiros criadores que tinham as suas propriedades assaltadas e devastadas pelos tapuias, que assassinavam os seus moradores e incendiavam as fazendas.
Em 1687, o Governador Geral, Matias da Cunha, enviou recursos para debelar a luta: vieram os bandeirantes paulistas, já afeitos às lutas contra índios. Foram eles: Matias Cardoso e Domingos Jorge Velho. Conflito que foi amenizado em 1692. Aliás, caso inesperado, a mais imprevista das reconciliações: Um português, João Pais Florião, apaixonou-se por uma índia, filha do maioral Nhongue, cunhado do “rei Canindé” e, com palavras amigas, conseguiu que os índios pedissem a paz. Enviaram embaixadas à Bahia dirigida pelo dito Florião. O governador recebeu com festas, em abril de 1692, e como entre potências, pactuaram a paz perpétua. Enquanto o rei Canindé viveu, honrou a sua palavra mas após a sua morte a luta se reascenderia.
No Ceará a conflito teve continuidade a partir de 1694 após à morte do rei Canindé, onde os nativos juntaram-se às outras tribos e recomeçaram a luta que se estendeu por todas as capitanias, isto é, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba. Em 1704, o Rio Grande do Norte foi pacificado. No Ceará ainda houve lutas mas após 1713 considerou-se encerrada a Guerra dos Bárbaros ou Confederação dos Carirí, ou ainda, a Guerra do Açu.
Saiba mais:
Sobre Teodósio
Sobre a História de Campina Grande
Baixe a apostila de História da Paraíba

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mentalidade e Anacronismo

s historiadores trabalham com conceitos que são bastante pertinentes aqui serem colocados, os conceitos de mentalidade e contexto. A mentalidade é construída a partir de uma realidade que é pensada é dada a ler, ou seja, os discursos proferidos sobre alguém ou algo podem criar um significado que na verdade ele não possui, mas que o pensamento coletivo começa a interpretá-lo, concebê-lo de tal forma, assim se torna uma mentalidade coletiva. O contexto é algo que sempre se deve lembrar antes de qualquer leitura do passado. Por exemplo, o trabalho escravo (principalmente o colonial) e toda a sua violência e exploração, hoje é inconcebível, mas para a época era algo indispensável, não se pensava a produção e a riqueza sem ele (inclusive na África a escravidão era algo usual).


Temos que pensar o nazismo como um fruto do contexto. Na época de seu surgimento, parecia uma das poucas alternativas para o povo alemão que se via com fome, explorado, roubado e ferido quanto a sua nacionalidade, já que pesadas penas foram impostas sobre a maioria que sofria com a grave crise econômica e social. Os "judeus" (estrangeiros) lhes “roubavam” as riquezas e seus empregos. Hitler era visto como um "salvador da pátria", um cara que iria retomar o crescimento do país e preservar a propriedade da elite (o partido Nacional Socialista de socialista tinha apenas o nome, pois para chegar ao poder se rende ao capital burguês para não implantá-lo e criar a política anti-comunista). Por tanto, para os judeus (estrangeiros) foi uma tragédia, mas para os alemães foi uma alternativa. A mentalidade coletiva deveria ser direcionada a pensar dessa forma. O nazismo chegou ao poder pelo povo que queria mudanças.


Por isso, devemos olhar com cautela o crescimento de movimentos que aproveitam-se do momento de fragilidade e de fraqueza de nossa sociedade para sobrepôr e influenciar a população a partir de uma ideia de mudança. Os skinheads encontram-se espalhados pelo mundo inteiro e o número de membros vem aumentando ao longo do tempo. É um grupo presente em nossa sociedade caracterizado pela ideologia da raça soberana e tem relação com os ideais neonazistas, os quais pregam que existe somente uma raça superior e pura que tem o direito de viver nesse mundo. Há diversos grupos disseminados pelo país, em especial no Estado de São Paulo, um dos mais famosos grupos paulistas de skinheads é o “Carecas do ABC”, carecas vem da tradução de skinheads. (Assista o documentário "A Cultura do Ódio", exibido pelo programa Documento Especial em 1992)






Não existe uma explicação plausível para os fundamentos utilizados pelos skinheads, que afirmam que esses são a verdadeira raça nacional, e quais são os aspectos que os tornam melhores que outras pessoas. Sociólogos, psicólogos, entre outros profissionais, ainda não encontraram essa resposta, deixando a incógnita para o futuro. Na verdade, o que temos que enfocar é a compaixão o amor ao próximo, bem como a ética, algo diferente da moral, pois é interior, pois esses sentimentos devem estar acima do que se acha ser interesses de todos, pois esses podem ser construídos, os direitos individuais devem ser preservados e o radicalismo esquecido. A história nos ensina a não repetirmos os mesmos erros, mas julgar o passado é anacrônismo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Resultado do II Bimestre - Alternativo / CCA+

Saudações para todos


Neste Link vocês podem baixar ou visualizar o arquivo com o resultado das primeiras atividades do II Bimestre e de quem ficou em Recuperação, para esses últimos, os assuntos são os mesmos do Mini-teste e da Atividade Bimestral. Lembrando que o resultado final e as médias só serão divulgados quando forem lançados os Boletins.


http://www.4shared.com/file/112370054/d6053b06/Pdf_-_Lista_de_alunos_em_recuperao_II_Bimestre.html


Para os que foram aprovados, deixo meus parabéns e o desejo de um ótimo recesso, para os que ainda nos encontraremos, desejo luz e sabedoria para enfrentar essa última etapa.

Finalizo esse post com essa demonstração de como não fazer uma recuperação.




Abraços em todos e todas

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Dá para aprender jogando Video Game?


Nos últimos tempos buscam-se diversos caminhos para tornar a aprendizagem mais eficiente, em particular no ensino de História, incorporando assim diferentes linguagens no processo ensino-aprendizagem. Entre as possibilidades de inovação estão os jogos eletrônicos de computador, alternativa para ampliar o diálogo entre o ensino de História e as metodologias que atualmente compõe o repertório das possibilidades de construção da história e do seu ensino.
Por isso, proponho aos nossos queridos alunos e alunas que reflitam sobre as possibilidades de utilização dos jogos eletrônicos no aprendizado de vocês, para tanto cito algum jogos que podem lhes ajudar nesse obejetivo e algumas informações básicas:

- Age of Empires -> http://pt.wikipedia.org/wiki/Age_of_Empires
- Age of Mytology -> http://pt.wikipedia.org/wiki/Age_of_Mythology
- Capoeira Legends -> http://capoeiralegends.com.br/capoeiralegends/News.aspx?lg=Pt
- Tríade -> http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/triade/download.html

Solicito a vocês que deixem suas impressões e suas experiências através desta iniciativa postadas, publicadas aqui neste blog, socializando uma discussão entre o conteúdo da disciplina de História com o jogo proposto. Ajudando-nos a compreender melhor a importância das novas tecnologias e dos novos espaços de aprendizado para a construção do conhecimento, experiência e socialização do saber-conhecer.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Simulado UEPB Prévest

Mais uma vez me desculpem pelos contratempos, tudo já foi devidamente esclarecido mas me sinto mais uma vez responsável por tudo, no mais, fica aqui disponível o simulado de maio para os alunos do Prevest UEPB.

Bons estudos

Este é o link para baixar o arquivo do simulado
http://www.4shared.com/file/105444756/e18eaf80/SIMULADO_de_Maio_UEPB_PREVEST.html

Filmes Sugeridos para História e Geografia - VESTIBULAR UFCG 2010

A título de auxiliar os candidatos ao Concurso Vestibular 2010, as Bancas elaboradoras das provas de História e Geografia indicam uma nova relação de filmes, os quais não se constituem conteúdos programáticos obrigatórios, mas sugestões para reforçar a relação ensino/aprendizagem. Diferentemente dos filmes sugeridos para o Vestibular 2009, agrupados por etapas, esta nova relação de filmes pode ser utilizada tanto na primeira quanto na segunda etapa, de acordo com o conteúdo específico de cada disciplina.


ALEXANDRE (Direção Oliver Stone, 2004)
300 DE ESPARTA (Direção de Zack Snyder, 2007)
GLADIADOR (Direção de Ridley Scott, 2000)
ORGULHO E PRECONCEITO (Direção de Joe Wright, 2005)
AMISTAD (Direção de Steven Spielberg, 1997)
V DE VINGANÇA (Direção de James McTeigue, 2006)
TROPA DE ELITE (Direção de José Padilha, 2007)
CIDADE DE DEUS (Direção de Fernando Meirelles, 2002)
CENTRAL DO BRASIL (Direção de Walter Salles, 1998)
QUE BOM TE VER VIVA (Direção de Lúcia Murat, 1989)
GANGUES DE NOVA IORQUE (Direção de Martins Scorsese, 2002)
ÚLTIMA PARADA 174 (Direção de Bruno Barreto, 2008)
DIAMANTE DE SANGUE (Direção de Edward Zwick, 2006)
BICICLETAS DE PEQUIM (Direção de Xiaoshuai Wang, 2000)
QUANTO VALE OU É POR QUILO? (Direção de Sergio Bianchi, 2005)